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MDR e FAO: relançamento da fileira porcina e o desenvolvimento de um plano pecuário em Cabo Verde

 

Nações Unidas, Praia 6 de Novembro 2015 - De conformidade com os últimos dados publicados pelo Ministério de Desenvolvimento Rural (MDR) em 2010, em Cabo Verde a pecuária ocupa cerca de 41.000 famílias ou seja, 60% da população total e contribui com 1,2% para o PIB. A fileira suinícola com um efectivo avaliado em 70.000 cabeças e um valor estimado de 370.000.000 ECV (cerca de 4.870.000 USD) é a mais importante fileira animal do sector pecuário. O efectivo suíno encontra-se distribuído principalmente nas ilhas de Santiago (62,87 por cento), Fogo (12,07 por cento) e Santo Antão (11,49 por cento).

Face ao crescimento urbano e demográfico registado nos últimos anos estar na origem da grande procura de produtos porcinos, o que determinou um forte impulso à produção porcina tanto nas zonas periféricas das cidades como nas zonas rurais, veio a confirmar o papel da criação de porcos como um sector chave da economia cabo-verdiana e da importância crescente na segurança alimentar e na garantia dos meios de subsistência das populações caboverdeanas.

Por outro lado reforça o papel da criação de porcos como actividade essencial para as famílias e populações cabo-verdianas vulneráveis e não só, como fonte de uma parte substancial dos recursos para a satisfação das suas necessidades.

Um dos maiores constrangimentos para o desenvolvimento desta fileira em Cabo Verde é a situação sanitária decorrente dos surtos da peste suína africana (PSA), doença altamente contagiosa e com elevada morbilimortalidade  , e para a qual não existe vacina ou tratamento específico.

O desenvolvimento da fileira sofre com o impacto da fraca organização dos actores (produtores, comerciantes, fornecedores de insumos e de serviços, transformadores, etc.) e com as condições zoo sanitárias deficientes (maneio zoo sanitário, biosegurança, fraca produtividade, etc.).
Cabo Verde conheceu os primeiros focos confirmados de PSA em 1998 nas ilhas de Santiago e Maio. De seguida a doença foi confirmada pela primeira vez na ilha de Fogo em 2012 e agora em 2015 foi a vez da ilha da Boavista com os registos dos seus primeiros focos.

É certo que as acções dos serviços técnicos permitiram controlar a doença, mas com esta expansão geográfica da doença leva a uma aturada reflexão com vista a conter esta expansão pelo seu grande impacto na produção porcina nacional.

A FAO em todas estas ocorrências tem fornecido assistência técnica e financeira ao Governo de Cabo Verde para controlar a doença através de dois projectos executados no quadro do programa de cooperação técnica (TCP) implementados em 1998 e em 2012.

Por entre outros importantes impatos, os projectos TCP permitiram que o laboratório Veterinário da Direcção Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Rural (DGADR) pudesse dispor de capacidades de diagnóstico e vigilância da doença, o que permite uma resposta rápida dos Serviços Veterinários.

Com o surgimento dos recentes focos de 2015 nas ilhas de Santiago e Boavista, a FAO disponibilizou um perito durante o periodo de 7 a 12 de setembro de 2015, como resposta ao pedido do MDR endereçado à Representação da FAO em Cabo Verde, com o objectivo de avaliar a situação e propor soluções duráveis às recorrentes epidemias da PSA no país.

Desde que foi confirmada a doença no país, as acções do Governo em parceria com a FAO permitiram a obtenção de ganhos consideráveis tanto em termos de conhecimentos da real situação da doença e do seu impato bem como em termos de reforço das capacidades de intervenção e de organização dos actores da fileira.

As análises da recente missão de avaliação dos novos focos da PSA indicam entretanto que essas acções são insuficientes para alcançar resultados duradouros e obter um verdadeiro controlo da doença.

Desta feita a missão em conjunto com as Autoridades do Pais chegaram ao entendimento da necessidade de elaboração e consequente execução de “Um programa Estruturante e Plurianual com o objectivo de desenvolvimento de toda a fileira suína em Cabo Verde, tendo em conta os diferentes segmentos da fileira (estratégia e sistema de produção incluindo a biosegurança, transformação, comercialização, organização dos actores da fileira) o que poderá conduzir a um controlo durável ou mesmo a uma erradicação da doença”.

A situação insular de Cabo Verde e o potencial de desenvolvimento da fileira suina derrivado da grande procura da carne suina oferecem condições favoráveis para tais prespectivas. A FAO reitera a sua disponibilidade em acompanhar Cabo Verde na mobilização dos recursos e parceiros com vista a formulação e a implementação de um programa de fileira suina assim como a elaboração de um plano de desenvolvimento durável do sector de pecuária.

 

OBS: Um artigo assinado pelo Rémi Nono Womdim Representante da FAO e Eva Verona Ortet Ministra do Desenvolvimento Rural

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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