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Café de Cabo Verde: com o apoio da FAO as autoridades e produtores em busca da valorização da cadeia de valor

 

Nações Unidas, Praia 12 de Junho de 2015 -  O sector agrícola em Cabo Verde tem uma potencialidade, para a expansão da produção e promoção da competitividade de alguns produtos agro-pecuários. Nesta perspectiva, documentos estratégicos foram elaborados e algumas fileiras agro-pecuárias, de maior potencial de rendimento, eleitas, para levar ao desenvolvimento da cadeia de valor que contemplará os aspectos da pré-produção, produção, pós-produção, transformação e comercialização.

Neste contexto, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apoiou recentemente a realização do primeiro estudo de uma das fileiras eleitas, que foi a cultura de café.

O Projecto intitulado “Assistência Técnica para a implementação de um programa de recuperação e valorização do Café de Cabo Verde” tem como objectivo reabilitar as velhas plantações de café, bem como melhorar as competências dos produtores e técnicos locais, relativamente às técnicas de produção, comercialização e exportação do café de Cabo Verde.

Não obstante as adversidades, como a escassez de terra e da precipitação, Cabo Verde tem algumas regiões microclimáticas em altitudes acima de 500 m, que propiciam o desenvolvimento da cultura de café. As zonas de altitude nas ilhas de Fogo, Santo Antão, São Nicolau, Santiago e Brava são zonas com maior potencial para a produção do café.

A Cafeicultura já foi uma atividade muito rentável em Cabo Verde. Áreas cultivadas com café chegaram a ocupar cerca de 2500 ha, o que fez do café, na altura, um produto de reconhecido valor, tanto a nível nacional como internacional. Com o passar dos anos, dado a exiguidade da precipitação, mudanças de diretivas politicas para o sector agrícola, assim como a escassez de investimentos no sector cafeicultura, fez-se com que essa cultura perdesse a sua rentabilidade e a sua expressiva presença, em mercados internacionais.

Assim, surge a imperiosa necessidade de recuperar e dinamizar a produção de café em todas as ilhas com potencialidade para essa cultura, assim como, promover uma interação entre todos os operadores da cadeia de valor e instituições públicas, de forma a converter o “Café de Cabo Verde” num produto de grande notoriedade, tanto a nível nacional como a nível internacional.

A compreensão da dinâmica da cafeicultura se dá numa visão sistêmica, que chamamos de cadeia de valor do café. Com isso, entende-se que, a discussão e a busca de soluções e novas perspetivas para o café, passam necessariamente pela integração entre os agentes económicos, envolvidos na construção de um arranjo organizacional, que incentive o desenvolvimento e a maior competitividade do produto final.

A necessidade de adotar novas posturas de gestão agroalimentar eficientes e eficazes fará com que um número cada vez maior de empresas adotem uma nova filosofia de gestão concentrada no valor. O café de Cabo Verde, possui vantagem comparativa, e se bem explorado, e ajustado à cadeia de valor, pode vir a garantir uma expressiva participação no balança comercial cabo-verdiana, pelo significativo crescimento da área plantada e do volume de produção.

Neste contexto, a FAO e o Ministério do Desenvolvimento Rural organizaram esta semana, um Atelier que reuniu 35 participantes de todas as ilhas. O Atelier teve como objectivo, numa perspectiva de reflexão coletiva, analisar e validar tres documentos que são: um estudo da cadeia de valores de café nas ilhas do Fogo, Santo Antão, São Nicolau, Brava e Santiago; um projecto de recuperação e valorização da cultura do café; e a a base agroecológica para a recuperação e a valorização da cultura do café.

 

 

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